Zilda Arns nasceu dia 25 de
agosto de 1934 na cidade de Forquilhinha, em Santa Catarina. Em uma família de
13 irmãos, Zilda era uma das mais novas – a 12ª – e desde cedo se interessou
pela medicina.
Formou-se na Universidade Federal
do Paraná e logo começou a trabalhar diretamente com saúde pública,
auxiliando famílias carentes a combater a mortalidade infantil, a desnutrição e
os problemas causados pela falta de saneamento básico.
Muito religiosa, a doutora Zilda
utilizava um modo próprio de difundir entre as famílias carentes o conhecimento
necessário para evitar os problemas de saúde causados, muitas das vezes, por
falta não só de saneamento básico mas também de informação. Ela acreditava que
multiplicando o conhecimento (assim como, segundo a Bíblia, Jesus havia
multiplicado os pães e os peixes e alimentado muitos famintos), cada vez mais
pessoas estariam conscientes e menos suscetíveis às doenças.
Viram como uma metáfora bíblica
pode ser usada de forma bem útil e interessante?
Zilda chegou ao cargo de diretora
de Saúde Materno-Infantil da Secretaria de Saúde do Paraná e aproveitou para
especializar-se ainda mais em saúde pública e pediatria. Coordenou campanhas
de vacinação no estado, além dos programas de prevenção de
câncer, aleitamento materno esaúde escolar.
Em 1983, juntamente com seu
irmão, dom Evaristo Arns e dom Geraldo Majella, presidente da CNBB, fundou a Pastoral
da Criança, apoiada pelo UNICEF.
À frente da Pastoral, um trabalho
além das fronteiras brasileiras:
A Pastoral da Criança iniciou
seus trabalhos na pequena cidade de Florestópolis, mas logo foi ganhando espaço
para montar projetos semelhantes em diversas cidades do Brasil, sempre apoiado
pela CNBB e pelo UNICEF, com coordenação ativa de Zilda Arns. Segundo o próprio
site, a Pastoral…
“Tem como objetivo promover o
desenvolvimento integral das crianças pobres, da concepção aos seis anos de
idade, em seu contexto familiar e comunitário, a partir de ações preventivas de
saúde, nutrição, educação e cidadania, realizadas por mais de 228 mil
voluntários capacitados. Também promove, em função das crianças, as famílias e
as comunidades, sem distinção de raça, cor, profissão, nacionalidade, sexo,
credo religioso ou político.” [1]
Hoje a Pastoral da Criança
está presente em 19 países, como Timor Leste, Paraguai, Bolívia, Filipinas,
Moçambique etc, além do Brasil, e já atendeu mais de 2 milhões de crianças. A
doutora Zilda ainda ajudou a fundar a Pastoral da Pessoa Idosa, que
já auxiliou mais de 500 mil velhinhos e velhinhas de todo o Brasil.
Mas eu gostaria de chamar atenção
para a última linha da citação acima. Apesar da Pastoral ser uma ONG criada por
um órgão religioso, a CNBB, e por pessoas altamente envolvidas com a Igreja
Católica Apostólica Romana, não há distinção de credo na hora de atender
qualquer criança carente.
Isto fica bem explícito em uma
entrevista da doutora Zilda em que ela responde se já teve alguma dificuldade
de implantar os programas da Pastoral em países onde o cristianismo não é a
religião principal:
“Em 20 anos, nunca tivemos
resistência de religião alguma e nenhuma comunidade religiosa se queixou da
Pastoral da Criança. Quanto mais elas se envolvem, mas gostam de trabalhar com
a Pastoral. Já no começo, ainda em Florestópolis, fiz questão de envolver
representantes das três outras religiões que havia na cidade. E é isso que
acontece nos outros países. Estive em Guiné-Bissau, que tem maioria islâmica, e
lá vi que eles cantavam a receita do soro caseiro que, naturalmente, era
cantada na religião e da maneira deles. E fiquei comovida em ver líderes
muçulmanos tão envolvidos com os nossos projetos. A Pastoral inverte a idéia de
que é sempre o médico que cuida das pessoas e dá autonomia para que a família
previna doenças. Isso integra todos de maneira muito fácil.” [2]
Agora ficou fácil entender porque
a doutora Zilda foi escolhida para representar as mulheres no texto do Dia das
Mulheres, não é mesmo? Além de levar informação às comunidades carentes e
ajudar a prevenir diversas doenças, Zilda ainda realizou o trabalho
independente da orientação religiosa das comunidades e das pessoas atendidas.
Melhor do que ficar discutindo
preferências religiosas – ou a falta delas – é fazer o bem, mesmo que você siga
um exemplo que venha da sua religião.
Zilda Arns faleceu dia 12 de
janeiro de 2010, aos 75 anos, durante o grande terremoto que atingiu o Haiti e
devastou metade do país. Logo após encerrar uma palestra para cerca de 15
religiosos cubanos, o teto da igreja onde eles estavam não resistiu aos abalos
sísmicos e desabou, matando várias pessoas que ali estavam.
Zilda foi ao Haiti para observar
o trabalho humanitário que chegou ao país juntamente com as Forças de Paz da
ONU, lideradas pelo exército brasileiro. Certamente foi uma grande perda não só
para o Brasil como para o mundo todo. Homenageada diversas vezes mundo afora,
recebida por reis e presidentes, a doutora Zilda chegou até a ser indicada para
o Premio Nobel da Paz em 2006.
E hoje, claro, pode ser
considerada uma das mulheres mais importantes da História do Brasil não só do
século XX como também do século XXI.
Fontes:
[2] “Mulher e Humanista“, entrevista com Zilda Arns no site Educacional.
- Trabalho de Zilda Arns beneficiou mais de 2 milhões de
crianças, texto de Maurício Savarese no UOL Notícias.
Uma grande Mulher, Zilda Arns,sua vida foi voltada para a prática da solidariedade
Reviewed by Francisco Júnior
on
17:40
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