
BRASÍLIA - A Câmara
dos Deputados concluiu nesta terça-feira (22) um Projeto de Lei que altera
vários pontos da legislação eleitoral, beneficiando candidatos e grandes partidos.
Apelidada de "minirreforma eleitoral", o texto ainda dificulta a
fiscalização da Justiça.
Como foi alterada pelos
deputados, a proposta volta para análise dos senadores.
Na Câmara, o projeto foi
"flexibilizado", e as principais polêmicas incluídas pelo Senado
foram rejeitas, como a liberação doações de concessionários de serviços
públicos caso eles não sejam "os responsáveis diretos pela doação" e
ampliação dos recursos do fundo partidário para campanha.
Na votação desta terça, os
deputados proibiram o uso de bonecos nas campanhas e ainda placas, faixas,
cartazes, bandeiras e pinturas em muro de bens particulares. Ficou mantida a
proibição para propagandas que ridicularizem candidato, partido ou coligação.
A principal alteração incluída
pelos deputados permite que o político que receba punição da Justiça Eleitoral
possa pagar a multa em até 60 vezes, desde que cada parcela não ultrapasse, o
limite de 10% de seus rendimentos.
A Câmara retirou a autorização
para que campanhas políticas recebessem doações de concessionários de serviços
públicos caso eles não fossem "os responsáveis diretos" pela
contribuição. Atualmente, elas são proibidas. Os senadores devem debater se vão
retomar a liberação desse tipo de doação ou se mantém a decisão dos deputados.
O projeto prevê ainda que a
Justiça tenha que se limitar ao "exame formal dos documentos contábeis e
fiscais apresentados pelos partidos" na análise de suas prestações de
contas, "sendo vedada a análise das atividades político-partidárias ou qualquer
interferência" na autonomia das siglas.
Outra medida permite, no semestre
das eleições, transferências do fundo partidário às siglas que tiveram suas
contas desaprovadas pela Justiça. O fundo representa uma das principais fontes
de financiamento das legendas.
O texto libera a pré-campanha na
internet e nos demais meios de comunicação ao permitir a participação de
filiados a partidos políticos ou de pré-candidatos em entrevistas, programas,
encontros ou debates no rádio, na televisão e na internet, com exposição de
plataformas e projetos políticos.
Em relação aos gastos com
passagens, os partidos só precisarão comprovar quanto foi desembolsado, sem
precisar identificar o usuário e o trajeto das viagens.
Também fica autorizado que os
últimos comícios das campanhas podem ser realizados até as 2h --hoje eles têm
que ser encerrados as 24 horas.
Numa pedida que pode dificultar
campanha de pequenos partidos, o projeto proíbe propaganda eleitoral em
outdoors, prevendo multa de R$ 5.000 a R$ 15 mil para quem descumprir.
Durante a discussão da matéria,
os deputados rejeitaram a adoção de um limite para a contratação de cabos
eleitorais e de um teto para os candidatos durante a corrida eleitoral.
VALIDADE
A aplicação das novas regras para
as eleições de 2014 divide opiniões dos congressistas. Isso porque legislação
determina que, para valer na eleição, mudanças no processo eleitoral têm de ser
aprovadas um ano antes.
Esse prazo terminou no último dia
5. Parlamentares, no entanto, entendem que como o projeto foi flexibilizado,
sem tratar de prazos, não altera o processo eleitoral e pode valer para a
disputa do próximo ano.
Os deputados argumentam que erros
na contabilidade dos partidos não podem inviabilizar a participação deles nas
eleições.
"Não votar essa proposta é
deixar muita coisa ruim na legislação e obrigar parlamentares a gastar muito na
campanha", disse o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ).
Líder do PT, José Guimarães (CE)
rebateu: "Essa pressão não tem efeito. Tem que respeitar o princípio da
anualidade".
Fonte: Folha Online
Câmara aprova "minirreforma" que beneficia candidatos e grandes partidos
Reviewed by Francisco Júnior
on
23:20
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