
O assoreamento de mananciais como
o rio Taperoá e o rio Paraíba, que são afluentes do açude de Boqueirão
(Epitácio Pessoa), tem provocado uma série de problemas ao reservatório que
abastece 18 cidades e sete distritos do Compartimento da Borborema. Por causa
das dificuldades enfrentadas por estes rios, o açude deixa de receber água e,
consequentemente, o abastecimento das cidades atendidas por ele fica
prejudicado, especialmente em períodos de seca, como vem ocorrendo nos últimos
meses, devido à falta de chuvas regulares.
O que agrava ainda mais a situação do reservatório é o fato de que a falta de
esgotamento sanitário em várias cidades do entorno do açude faz com que dejetos
sejam jogados no local, contribuindo para que a capacidade de armazenamento do
reservatório seja gradativamente reduzida ao longo dos anos. Desde quando
entrou em funcionamento, em 1956, até os dias atuais, o açude de Boqueirão
perdeu 23,2% da sua capacidade de acúmulo de água. O manancial está localizado
no Cariri paraibano e tem atualmente 54,2% da capacidade total.
Conforme informações repassadas pelo engenheiro chefe do serviço técnico do
Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), Francisco Mariano da
Silva, o açude de Boqueirão foi projetado para acumular 536 milhões de metros
cúbicos(m³) de água, mas, atualmente, o volume máximo chega a 411.686.287 m³,
uma diferença de 124.313.713 m³, quantidade suficiente para abastecer uma
cidade com 200 mil habitantes durante um ano. De acordo com o coordenador do
Dnocs, Solon Alves Diniz, o órgão é responsável apenas pelo monitoramento do
açude Epitácio Pessoa e não pelos mananciais que o abastecem. Nesse sentido,
para amenizar o problema, o departamento realiza, a cada dez anos, a limpeza do
reservatório - chamada de descarga de fundo - que retira o excesso de lama e
sujeira que prejudica o volume hídrico do local.
Sobre o assoreamento dos rios que abastecem o Epitácio Pessoa e,
consequentemente, causa problemas ao açude, o dirigente afirma que o Dnocs tem
consciência que o problema existe, mas o órgão só tem competência para atuar
junto ao reservatório. Já a Superintendência de Administração do Meio Ambiente
(Sudema) explicou que é necessário um estudo de impacto ambiental para ser
possível proceder a drenagem e/ou retirada dos bancos de areia. No entanto, o
órgão só realiza este trabalho uma vez sendo solicitado por instituições que
queiram explorar a área.
O gerente regional de Bacias Hidrográficas da Agência Executiva de Gestão das
Águas do Estado da Paraíba (Aesa), Isnaldo Cândido, destaca que outro grande
problema encontrado nos rios, além do assoreamento, são os esgotos despejados
nestes mananciais. “Tanto os rios Paraíba e Taperoá, quanto os seus afluentes
recebem esgotos de diversos municípios. Falta consciência por parte dos
gestores, afinal, estas águas vão para o açude que abastece várias cidades”,
disse Isnaldo.
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) seria a instituição competente para
cobrar dos poderes públicos a execução de medidas que solucionem ou amenizem a
situação crítica dos rios e açudes do estado. Mas, de acordo com o promotor do
Meio Ambiente de Campina Grande, Eulâmpio Duarte, o órgão somente pode agir
após ser informado oficialmente do problema.
Órgãos de defesa do meio ambiente relatam que tais problemas já foram
comunicados ao MP, mas nada tem sido feito para se buscar uma solução. O
ambientalista e membro da Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (Apan),
Roberto Almeida enfatizou que “na Paraíba não há um único rio que possa ser
considerado saudável”. A preocupação segndo ele, é preocupante e atinge açudes
como o Epitácio Pessoa em Boqueirão.
O Açude Boqueirão é o manancial responsável pelo abastecimento d’água de
Campina Grande e mais 17 sedes de municípios com inúmeros distritos, com uma
população estimada em 1.000.000 (um milhão) de habitantes, e que já está com a
capacidade de acumulação reduzida em cerca de 50% e as perspectivas de chuva
para os anos 2013, 2014 e 2015 são de 20% abaixo da média histórica.
VITRINE DO CARIRI
PBAgora
Alerta vermelho: Rios Taperoá e Paraíba estão sofrendo com assoreamento e prejudica Boqueirão
Reviewed by Francisco Júnior
on
12:27
Rating:
Nenhum comentário:
Postar um comentário