
Júnior Cordeiro
Valorizar a cultura de um povo ao qual você faz parte, não é simplesmente e meramente mantê-la viva, vai bem mais além disso, é a busca pelo auto-conhecimento. Você, por exemplo, é o reflexo de uma cultura que fora praticada e que posteriormente sofreu mutações - ninguém é essencialmente o que aparenta ser - somos uma contínua formação do meio.
Seguimos a dinâmica do tempo, e somos moldados para ser desse ou daquele jeito, e o pior, não nos questionamos por que nos comportamos de determinada maneira, por que temos tal gosto, e, sobretudo, por que sofremos mutações de uma hora para outra, simplesmente devido à influência exercida por alguém que está na mídia e decidiu "reinventar" tudo. O que é moda, novo, enfim, o que está no auge hoje, amanhã é obsoleto, perdemos assim o perfil de preservar e nos tornamos seres freneticamente mutantes.
Essa mutação ocorre nas mais diversas áreas de nossas vidas, dentre todas, saliento a formação da cultura musical. A música é algo que está presente na vida de todo ser humano, e lhe marca de acordo com o momento que está vivendo, e o mais brilhante, de maneira diferente com cada pessoa; ela é um dos vários instrumentos que tem por missão descontrair, transpor o homem para uma reflexão sobre sua vida, sua realidade, enfim, é um dos instrumentos que matem as relações sociais, contudo, esse sentido vem se perdendo em meio às constantes mudanças do mundo.
Outrora ouvíamos o Gonzagão cantar "Quando vim do sertão seu moço do meu bodocó", cantar a realidade do nordestino que saia de seu torrão em busca de melhores condições de vida no Sul, hoje vemos as bandas que estão no auge do sucesso cantando "Bara bara bara bara Bere bere bere", e o pior, zombando da cara do povo, pois o cantor certa feita disse enquanto executava “não tem letra e é um sucesso desse, imagina se tivesse", concordo plenamente com o Sec. de Cultura da Parahyba Chico César quando não quis dá apoio a bandas desse tipo, pois além de não ter conteúdo em suas letras, instigam a promiscuidade e o uso de drogas (bebidas alcoólicas), pois o cara que “ficar” com mais mulheres e beber mais é “o cara” da festa.
Deixando um pouco a parte moral e adentrando na área musical, vemos também a disparidade entre o forró autêntico e o forró executado pelas bandas de hoje em dia, não digo isso devido os vários instrumentos que usam, mas sim, o não saber usar dos mesmos. Hoje não vemos mais o predomínio do zabumba, do triângulo, da sanfona, o que vemos é o predomínio de arranjos mal elaborado que cada vez mais se distanciam do verdadeiro ritmo ao qual essas bandas dizem tocar, serei audacioso e coloco a fala do célebre Júnior Cordeiro em uma de suas conversas “essas bandas mesmo que usassem apenas zabumba, triângulo, sanfona, mesmo assim não faziam forró, pois forró é ideologia”, de fato o é uma ideologia, na qual deveria está centrada a música a sua autêntica cadência, e principalmente, que sua letra contenha a identidade de um povo que é batalhador, que tem suas crendices, seus costumes, e que não se resume em cachaça – essa cultura que eles catam é qualquer uma, menos nordestina.
Mas em meio a muitos que se deixam levar pelo o que a mídia impõe pelo que a maioria gosta, enfim, que não assumem a sua identidade nordestina de fato, surge alguns poucos que ainda enaltece a nobre e verdadeira cultura de nosso povo. São artistas que param em suas próprias vidas para apreciar e refletir sobre a complexidade que nos cerca, sobre o que de fato o é a nossa cultura, o que de fato é a cultura do Nordeste, dentre esse grupo seleto e brilhante de artista destaco a genial figura Júnior Cordeiro.
Júnior é por excelência um cantor da cultura popular, é um artista que transcende e nos faz transcender pelos detalhes que ele capta em nosso povo e resgata em suas músicas, quem presenciou o show de lançamento do seu CD O Lago Misterioso no último sábado 18/06, sabe do que estou falando.
Júnior chegou ao palco de forma audaciosa, com seu estilo peculiar, e logo nos arrebatou para O Lago Misterioso, nos propondo fugir dessa realidade horrorosa, logo em seguida nos apresentou o seu Mundo Encantadorogando ao mesmo um alívio para o peso da cruz que carregamos, nos transpôs ainda para o sentimento de amor com a sua música O Jeito e a Cara da Dor, de repente já nos transportou para o universo mítica com a sua lendária A Botija do Capitão-Mor, executou suas demais músicas as quais fascinaram a platéia, das quais ainda saliento o relato imprescindível da influência oriental que permeia em nossos costumes nordestinos, nos mostrou isso com a sua música Sangue de Mouro, nos fez lembrar das feiras populares, da medicina popular que o nosso povo passa de geração em geração com O Homem da Cobra, encerrou e se despediu agradecendo de forma sacra a sua Santa e Padroeira Nossa Senhora com a música Mater Dei, porém, a platéia de tão encantada pediu mais um número, que na realidade foram dois, um dos números que foram apresentados - diga-se de passagem foi ao meu pedido – pois me identifico muito com essa escolha e opção de vida que Júnior relata de forma magnífica com O Eremita, e por fim, a pedido unânime da platéia, Júnior executou mais uma vez em alusão a estória dela que protege os nossos animais e incomoda bastante os caçadores a tão falada Caipora, nos apresentou essa fábula tupi-guarani com O Beijo da Caipora.
O show do Júnior Cordeiro com certeza foi um dos mais nobres e fenomenais shows que o augusto e respeitável Severino Cabral viu. Parabéns ao conterrâneo e amigo Júnior Cordeiro pela sua grande obra que valoriza e resgata de fato a cultura do Nordeste.
Wanderley Simões”
twitter.com/wanderleydm
Valorizando a cultura Nordestina
Reviewed by Francisco Júnior
on
21:34
Rating:
Reviewed by Francisco Júnior
on
21:34
Rating:
2 comentários:
Caro Francisco Júnior, obrigado por publicar meu texto em seu Blog, e também pela força ao noviço blogueiro.
Que D'us nos abençoe sempre.
Att. Wanderley Simões"
Twitter: twitter.com/wanderleydm
Blog: wanderleysimoes.blogspot.com
Caro Francisco, obrigado por publicar meu texto em seu Blog, obrigado também pela força ao noviço blogueiro.
Que D'us nos abençoe.
Att. Wanderley Simões"
Twitter: twitter.com/wanderleydm
Blog: wanderleysimoes.blogspot.com
Postar um comentário