Algumas questões parecem tão
dadas que são silenciadas, ou por certo fetiche que infesta a maioria dos
espíritos, ou pelas conveniências das minorias que preferem escamoteá-las do
debate público. Um bom exemplo do silêncio alienante ou interesseiro é a
problemática do tamanho e dos custos do Estado – conjunto de instituições
públicas do país.
Noutras palavras, qual o preço a
ser pago pelo exercício dos direitos e deveres dos cidadãos no Brasil? É muito
melhor reclamar por segurança, saúde, educação, infra-estrutura,
habitabilidade, saneamento, sustentabilidade, empregos, etecetera,
do que pensar em quanto custa cada um desses direitos. Pior ainda é saber o
quanto do dinheiro público é pago com a “corrupção” que há juros da dívida
pública, ou com a corrupção propriamente dita, que por fora da lei, também
carreia o dinheiro dos tributos para o enriquecimento privado.
A força política dos
afortunados
Num país socialmente injusto como
o Brasil, esse tema da tributação esbarra na vontade das minorias tão mais
abastadas quão mais organizadas politicamente, como ocorreu recentemente na
Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados: os deputados
representantes dos donos de grandes fortunas obstruíram a sessão quando da
votação sobre a Contribuição Social das Grandes Fortunas (CSGF), tributo que
seria destinado exclusivamente ao financiamento da Saúde.
Esse projeto de taxação das
grandes fortunas, se aprovado, atingiria apenas 38 mil brasileiros e
brasileiras, que detêm fortunas acima de 04 milhões de reais. Seriam 14 bilhões
de reais a mais por ano para a Saúde, sendo que deste total, 10 bilhões de reais
viriam das 600 pessoas mais ricas do país.
Quem ganha menos paga mais
Seguidos estudos do Instituto de
Pesquisas Econômicas Aplicadas – IPEA revelam que no Brasil, onde o sistema
tributário é regressivo, quem ganha menos dinheiro paga mais impostos. Assim,
os 10 % mais ricos entre os brasileiros, comprometem 23 % dos rendimentos com
impostos. – Os 10 % mais ricos, detêm 75 % da riqueza do país. Já os 10 % mais
pobres, comprometem 33 % de seus rendimentos com o pagamento de impostos.
Os impostos indiretos, ou seja,
aqueles que não incidem sobre a renda e a propriedade, são os grandes
responsáveis por essa desigualdade na tributação entre os brasileiros pobres e
os brasileiros ricos. O Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias (ICMS), é o
grande exemplo desse disparate: Os pobres gastam 16 % de suas rendas com o
imposto sobre a consumo de mercadorias, enquanto que os ricos gastam apenas 5,7
% de impostos sobre o que consomem.
Mas, ainda segundo o IPEA (2008),
mesmo quando os tributos são sobre a propriedade, mesmo assim a cobrança é
injusta. Senão vejamos. Com a cobrança do Imposto sobre a Propriedade de
Veículos Automotores (IPVA), a incidência é a mesma, sobre pobres e ricos, o
que significa taxar de forma igual quem é desigual. Com o Imposto sobre a
Propriedade Territorial Urbana (IPTU) a incidência é ainda pior: a alíquota
média sobre os 10 % mais pobres dos proprietários é igual a 1,8 %, enquanto
sobre os 10 % mais ricos dos proprietários é igual a 1,4 %.
Em tempo: A extinção da
CPMF foi melhor prá quem mesmo?
Rafael Maracajá
Rafael Maracajá
OPINIÃO: Tributos – No Brasil, quem pode menos paga mais, por Zizo Mamede
Reviewed by Francisco Júnior
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15:11
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